quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dinheiro, Mulher e Cangaço.

Caros amigos,

Perdoem minha ausência. Como sabem, estive viajando por todo Nordeste.

Primeiramente estive em Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha participando do 1º Cariri Cangaço. Foi fantástico, pude conviver por 1 semana e meia com as maiores personalidades do estudo deste fenômeno que intrigou todo o país e acentuou o sofrimento do povo nordestino.

Gostaria de aproveitar minha empolgação do evento e explicar um pouco como viviam esses bandoleiros da Caatinga nordestina.

1. Passavam semanas andando pela Caatinga, fugindo da Polícia, sem tomar banho, sem trocar de roupa e com os mais cheirosos perfumes da época. (misturem suor e perfume e me digam no que é que dá)

2. Pelo menos até a década de 30 não haviam mulheres no cangaço. Ou seja, os selvagens eram solteiros, todos maxos (até hoje não houveram relatos de baitolagem no cangaço), deviam aliviar-se com o que encontravam pela frente. Ovelhas e cabritas eram coisa de luxo na época.

3. Pasta de dente? O que é isso?

Bem, o principal objetivo dos cangaceiros era ficar ricos as custas do dinheiro dos outros. O bando de Lampião, por exemplo, seqüestrou muitas personalidades e ganhou muito dinheiro através dos resgates.

Em meio a toda essa situação, como as mulheres viam os cangaceiros?

Segundo João de Souza, um dos maiores pesquisadores sobre a presença feminina no Cangaço, as sertanejas da época se dividiam quanto a querer ou não entrar no Cangaço.

Ora, imaginem. Homens sem nenhuma educação, violentos, sujos, fedorentos. Como uma donzela se encantaria por tais características?

Pois bem. Acontece que, grande parte das moças do sertão, contrariando a vontade dos pais, desejavam ir com os cangaceiros.

O motivo? Grana.

Mas é claro. Vivendo em um pequeno terreno, longe de tudo que existe, as moças do sertão sonhavam em ver o mundo. Até então elas só sabiam o que a literatura de cordel e as histórias que os sertanejos as contavam.

O mundo dos Cangaceiros era um mundo de muitas aventuras e de, apesar do perigo, de muito dinheiro. Para ter uma noção do que acontecia na época, quando Lampião sequestrou o senhor Antônio Gurgel, de Mossoró, pediu 15 contos de réis pela sua liberdade.

Segundo relatos, no ano de 1928, 5 contos de réis equivaliam ao preço de 100 vacas paridas de baixa qualidade. Hoje, por baixo, 100 vacas magras e ruins, valem aproximadamente 70 mil reais.

Então, levando em conta que Lampião já sequestrou dezenas de pessoas, dái vocês tiram o tanto de dinheiro que o bandido arrecadou no início do século apenas por meio de seqüestros. Sem contar os assaltos as cidadezinhas quem não podiam se defender ao poderio armado do bando que, em certa época, ultrapassou o contingente de 100 bandoleiros.

Houveram várias mulheres que entraram no Cangaço em busca de riquezas e aventuras. Maria Déa, vulga Bonita, era bem casada com Pedro. Lampião passou algumas vezes em sua casa enquanto passava de um trecho para outro.

Em um desses dias, Lampião disse que a levaria com ele. Ela disse: "Só se for agora". Pedro, o marido-traído, calado estava, calado ficou.

Nesse caso seria prudência ou covardia por parte de Pedro?

Caso curioso é também o de Dadá. Corisco a raptou da casa de seus pais ainda quando ela era adolescente. Ele a estuprou e a obrigou a andar por todo o Nordeste. Mas, com o passar do tempo, Dadá foi se acostumando e se apaixonou pelo "Diabo Lôro", como Corisco era conhecido.

Pois é... vai entender. O cara separa a mina da família, a estupra, não oferece o mínimo de conforto e ela acaba gostando.

E hoje? As mulheres são muito diferentes?

E Lampião? Cadê Lampião?

Eu estou com Luiz Gonzaga que dizia: "Ainda tem muito Lampião de terno e gravata por aí"

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